Ainda estou ainda estou um tanto solitário por aqui, como perdi as festas de início de curso não tive o momento todos-querem-conhecer-todos. O pessoal do alojamento é bem simpático e já tive algumas boas conversas na cozinha, mas só. No caso do Haloween quase fiquei em casa pq não arranjei com quem ir. Mas como é uma festa que eu nunca vi e sabe lá se um dia veria de novo eu resolvi arriscar.

Peguei o ônibus e acompanhei o fluxo de gente fantasiada e onde desceu um grupo bem grande eu desci. Passei por um pub cheio de velhinhos e outros dois cheios demais de qualquer coisa. Terminei por escolher um pequeno chamado “The Hobbit” na entrada havia um aviso de que fantasia ou maquiagem eram obrigatórios. Tirei uma bisnaga de pasta d´agua, passei na mão e meti na cara. O segurança me vendo fazer isso ainda perguntou: “what´s your costume?” e eu respondi sorridente “It is an urban version of Uruk-hai, from the Lord of the rings movie.”. Ele sorriu, cobrou o ingresso e me deixou passar, mas na legenda eu podia jurar ter lido a palavra “smartass”.

Era um lugar engraçado, por fora parecia pequeno e apertado, mas ao descer umas escadas na lateral descobri que era enorme, devia ter umas 300 pessoas espalhadas em diversos ambientes: bares, mesas de sinuca, quiosques de lanchonete e um palco de shows. Uma pequena cidade alegre e fantasiada com muitas cerveja e gente bebendo as cervejas. Apesar da pintura na cara, eu devia estar parecendo tão inglês quanto Principe Charles pareceu brasileiro quando sambou na Sapucaí, então fui ao bar para relaxar e quem sabe ficar mais natural. Além das cervejas havia várias bebidinhas divertidas, como o Zombie Blender, uma mistura de Carolan´s com sei lá o quê. O resultado foi um licor, forte e eficiente, após o qual me dignei a assistir o show. A banda, formada por três zumbis, um padre caolho e um vocalista elfo. O que me lembrou que eu estava no país que o Punk chamaria de berço, a mistura de estilos era divertidíssima. Lá estava eu assistindo uma legítima banda de garagem inglesa tocando música celta misturada punk rock, um paradoxo e perfeita representação da música típica daqui. Pela primeira vez na última semana e apesar dos milhares de quilômetros eu estava novamente em casa. Da guitarra ao violino, era som de garagem, forte,alegre e muito mal educado O nome era “smoking bastards” e após tantos anos voltei a participar de uma dança do encontrão num show punk. Se eu encarava quando tinha sessenta quilos porque não o faria com noventa? Subi, tomei uma Foster´s e voltei já pensando que no final ainda arrebataria com uma guiness. Uma gorda comenta que eu estou com a pior fantasia que ela já viu. Eu sorrio e ignoro, afinal ainda devo manter toda a malemolência do príncipe-herdeiro.

Volto para casa feliz e cansado, por volta de duas da manhã e após uma longa caminhada (ônibus só por sorteio) cheguei ao alojamento quase explodindo, pois não encontrava um canto sem câmeras para desaguar o excesso de cerveja. Enfim, considerando a amostragem posso dizer com justiça que foi a melhor, e única, festa de halloween que já tive.

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