O curso de desenho industrial não tem um pingo de filosofia e confesso que nunca senti muita falta até começar meus planos para a grande guinada na minha carreira.  Porém ao ler este simpático artigo do Dyke (.pdf) vi como uma pós pode ir fundo. Por um lado achei fantástico justamente pela variedade,  ele trabalha de forma transversal levantando aspectos sociológicos e filosóficos, como também pela profundidade: conceitos como experiência e aprendizado são questionados e levantados desde Kant e Hume, que levantaram raízes do empirismo e construtivismo que eu acho tão interessante.  O que leva a um encaixe bem embasado do “reflexive learning” frente a uma sociedade também reflexiva. Por outro lado eu também vi meus limites em lidar com a tonelada de conceitos novos e os dois quilômetros de autores aos quais o Dyke fazia referência em seu artigo.  Já era um texto denso, em inglês então ficou mais denso ainda. Minha solução então foi procurar as referências que ele colocou no texto, pelo menos as mais populares, como o Crítica da Razão Pura de Kant.

A resposta à minha solução foi uma pergunta: Pra quê?? Se o texto do Dyke estava pesado Kant era quase um buraco negro sugador de entendimento e auto-estima intelectual, o prefácio já foi dolorido e as páginas iniciais beiravam o masoquismo.  Nessa empreitada eu fui salvo pela SenhoritaK que já escolada por um mestrado me recomendou primeiro começar pelas leituras comentadas para depois voltar aos textos puros, aí fica muito melhor para se tirar as próprias conclusões. Nada como aplicar um pouco de construtivismo à própria vida. O outro aviso que ela me deu é que há tanta variedade de pensadores, enfoques e análises que termina-se por escolher aqueles que se adequam mais ao que desejamos fazer e nos especializamos.

Eu ainda acho que o Dyke mandou o texto para ver se eu aguento o tranco, se foi essa a intenção devo admitir que ele foi esperto. Foi um belo dum tranco. 🙂

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