Movimentando um pouco este blog inauguro uma nova categoria, sobre cinema. Ainda que este seja um lugar-comum, com centenas de blogs web afora espero poder acrescentar algo com minhas humildes reminiscências sobre o assunto.

Como já foi dito no genial filme Amor segundo um extraterreste homens gostam mesmo de filmes em que muita gente morrem rápido enquanto mulheres gostam de filmes onde uma pessoa morre devagar. E como membro da espécie, em extinção, dos heterossexuais masculinos de relacionamento estável eu não fujo a regra de gostar de filmes de guerra, ação, zumbis, policiais e cia.  Portanto eu não sou exatamente uma pessoa que se choque com qualquer cena violentas.

Isso não significa que eu seja insensível e alguns filmes conseguem me acertar pesado nesse aspecto, geralmente os mais impensados como é o caso do escolhido para este Post. Ainda estou revirando depois de assistir  ao Ensaio sobre a Cegueira (Blindness) de Fernando Meirelles. O filme é muito bom e gostei muito de ver nossa São Paulo em um filme desses, achei interessante o fato que nenhum dos personagens tem nome, abrindo espaço para que cada espectador escolha o papel que melhor lhe caiba. E como programador visual a premissa do filme é particularmente assustadora. Inclusive a sequência da  galeria 3 foi de uma violência chocante. Acho que tem o mérito de realmente mostrar como o homem pode ser cruel e não considero que ela foi gratuita, mas de forma alguma posso considerá-la agradável ou normal.

Se a cena teve um mérito foi o de me levar a uma reflexão sobre as violências que mais me incomodam, descobri que tripas e ossos quebrando não são o que me atingem, mas a humilhação, o sadismo e a crueldade gratuita contra gente indefesa tem um efeito arrasador sobre mim. Foi uma das raras histórias sem os rios de sangue e tripas que são lugar- comum hoje em dia que me deixou chocado.

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