Nada como um título clichê para o primeiro post o ano…

Trabalho com design gráfico e webdesign há pelo menos uns 13 anos e me formei em desenho industrial há nove. Portanto eu suponho que já posso comparar minha formação acadêmica com minha experiência profissional e tecer algumas considerações, além de definir meus rumos.

No caso do design, relendo definições de design vejo que a maioria considera design como uma atividade de projetual. Porém vejo em muitos designers, e em mim mesmo em alguns momentos, mais ênfase nas ferramentas e nos macetes que na metodologia e organização de processo em si.  Enfim, eu conheço diversos gênios do photoshop ou do corel mas raros designers capazes de extrair um bom briefing do seu cliente ou um bom processo de trabalho que envolva a organização do conteúdo até a impressão da peça final já são raros. Inclusive um bom processo de trabalho parece ser um artigo de luxo. Acredito que um dos problemas é que muitas escolas formam designers como máquinas de produzir peças gráficas, o que se reflete nos problemas que comentei aqui,  o designer de certa forma fica alienado do processo, preso a uma fase de produção enquanto e espera insumos para trabalhar (máquina, briefing, conteúdo etc.) para devolver artes do outro lado.

Já me cansei de ver clientes me mandarem livros nos quais eles já definiram o tamanho, tipo de papel e outras definições gráficas sem sequer me consultar para saber se eram as melhores opções para divulgar seu conteúdo, ou ter perder horas com retrabalhos porque houve uma re-re-revisão do conteúdo. Por outro lado, há muitos designers que entram nas reuniões mudos e saem calados, apenas esperando para saber o que devem fazer e quando começar. Profissionais que fazem peças e não projetos, atados “à sua parte” e alheios ao que acontece antes do briefing ser recebido e depois do trabalho sair da gráfica e que se bobear vou passar o resto da vida lidando eventualmente com essas coisas. Enfim, as reclamações clichê que todo o designer gráfico tem.

No mundo da TI por outro lado o webdesign está se especializando e transformando-se em design de interfaces. A divisão de especialidades dentro da TI é rígida, mas há várias metodologias descrevendo o processo de trabalho, as funções e o que deve ser produzido em cada fase. Hoje em dia há um forte foco na área de TI em não apenas produzir, mas em fazer isso de forma eficiente, documentada e rastreável. O trabalho de um desenvolvedor de sistemas é muito mais “hermético” que o de um designer gráfico, mas graças ás várias metodologias e documentação é possível o primeiro demonstrar seu trabalho para um leigo de forma mais clara que o segundo.

O que me leva a uma das conclusões/resoluções para 2009. Estou cansado de ser mais um designer de coisas bonitinhas, é uma função que agrega valor aos objetos mas agrega pouco valor ao profissional que a executa.  Quero me tornar um designer como os livros dizem, alguém que faz projetos, que participa da definição de necessidades, a partir daí define os indicadores de sucesso/insucesso, ou simplesmente as tais das metas. Se tiver de deixar o design gráfico não vai me fazer tanta falta. Depois deum tempo no mercado acredito que profissão mais que o texto do diploma é uma construção muito pessoal que fazemos ao longo da vida. Já vi jornalistas especializados em economia, economistas especializados na área contábil e técnicos de contabilidade que se tornaram analistas ambientais.

Nossa profissão é resultado das capacidades que somos hábeis o suficiente para somar.

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