Mais legal que fazer um projeto de aplicação é ver o que a banca disse dele. Certas vezes o sistema “bateu, levou” compensa.

Não, isso não é uma ironia. Eu apresentei meu projeto de fim de curso em meados de setembro e nele aproveitei para fazer algumas provocações:

  • à academia,
  • à forma como a educação é abordada enquanto área de conhecimento e, para temperar,
  • algumas comparações entre o meio corporativo e o acadêmico.

O interessante de fazer isso com um texto que será avaliado por uma banca de uma universidade é que… eles respondem. E, no meu caso, responderam bem! Meus questionamentos foram respondidos por outros e principalmente por algumas direções muito interessantes que não havia pensando em meu trabalho inicial.

Por exemplo, eu comentei sobre a evolução e as vantagens da educação com foco corporativo sobre sua contraparte acadêmica. E na resposta da examinadora da banca ela me questionou se eu também seria capaz de comentar sobre o inverso, sobre as desvantagens do foco corporativo. Ela não disse que eu simplesmente estava errado, mas me convidou a analisar a questão pelo outro lado.  Creio que é isso que diferencia o doutrinar do educar, no modo mais Paulo Freire do termo, incentivando a formação e não a simples informação.

Durante a  descobri que ainda me embanano para diferenciar tutor de professor e também que o fato de montar um curso e ter experiência como professor e profissional num assunto não me torna automaticamente um tutor que preste, e que tenho muito a estudar sobre teorias da educação. Sou um ignorante um pouco mais socrático agora.

Minhas provacações também renderam uma série de demonstrações sobre a fragilidade de algumas das minhas idéias, seja na visão limitada que comentei acima, ou em perguntas sobre uma série de conceitos que percebo agora não conhecer tão à fundo como pensava. A fase de correção do meu projeto (fui aprovado com 95% e sim, eu estou me achando) está sendo muito mais interessante que eu esperava.

O bom do feedback, além de mostrar minhas fraquezas mostru minhas forças, foi comentada minha capacidade de análise e habilidade para desenvolver soluções (descobri que adoro inventar exercícios).

Enfim, nas respostas questionadoras que recebi vi uma aceitação do debate e um chamado à profundidade que vai além de meus estereótipos da academia.  O raciocínio do ‘bateu, levou’ me foi deveras lucrativo.

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