Esse eu pesquei de um texto da The Economist de abril, sempre achei interessante como o avanço tecnológico pode ter efeitos inusitados. Por exemplo, quando os carros começaram a se tornar comuns nas ruas a grande maioria das pessoas via apenas um novo tipo de carroça e não como uma máquina que ia mudar alguns detalhes como:

  • o desenho de nossas cidades,
  • nosso cotidiano,
  • a noção de distância e propriedade
  • e claro, poluir muito nosso planeta (afinal não dá para pensar em poluição hoje em dia sem pensar em carros).

Outro avanço que pode produzir um impacto semelhante é a aparentemente inofensiva tecnologia wireless. Antigamente um usuário de computador por exemplo dependia de toda uma parafernália de máquinas, fiação e energia, o que centralizava várias operações em nesse tal do computador. A internet oferecia acesso ao mundo inteiro, mundo este restrito ao seu computador pessoal de casa ou escritório. Com a redução de tamanho, acesso wireless e soluções de economia de energia estamos readquirindo a mobilidade perdida. O volume de itens a se carregar também está se reduzindo porque o ambiente à nossa volta já oferece infraestrutura para reduzir nossa carga. Antes o acesso a tecnologia nos mantinha como astronautas, que precisam levar todos os suprimentos necessários para se manter em um ambiente. Hoje estamos voltando a ser nômades, no sentido mais “bérbere” do termo, os bérberes precisavam de menos mantimentos para se manter no deserto pois sabiam onde haviam oasis. Assim como eles, a tendência também é caminhamos com menos carga, porque sabemos onde podemos recarregar as baterias de nossos aparelhos e onde podemos acessar a web por sistemas wi-fi. Nossos dados ficam armazenados em dispositivos portáteis ou mais ainda, armazenados numa internet que já beira o onipresente nos grande centros urbanos.

Os efeitos nos EUA por exemplo são surpreendentes, certas empresas menores já tendem a abandonar os escritórios, substuindo a sala de reuniões por reuniões em café ou videoconferências. Certos escritórios já abandonam as baias com um funcionário cumprindo horário todos os dias, por desktops de uso comum dos funcionários e salas de reunião. Seria exagero dizer que os cúbiculos opressivos do Dilbert estejam com os dias contados, mas alternativas a esse modelo estão surgindo. Nosso paradigma de trabalho deixa de se basear em horas de trabalho cumpridas para ser medido por resultados apresentados.

Enfim, se hoje em dia vários profissionais só precisam de um bom computador, a tendência é que este computador possa estar em qualquer lugar que seu usuário deseje. Ao mesmo tempo o contato com a família limitado às noites e fins de semana pode ser substituído. um grau de conveniência e flexibilidade muito maior.

Se os carros e outros meios de transporte permitiram maiores distâncias entre a casa e o trabalho, criando uma separação entre estes dois mundos, talvez as novas tecnologias pulverizem essa separação. E a diferença entre ambiente profissional e pessoal talvez seja apenas uma definição arbitrária.

Por outro lado, a distância entre um simpático poder trabalhar em qualquer lugar à qualquer hora para um temível dever trabalhar em todo o lugar à toda hora pode ser muito pequena. E o contato com qualquer um via máquina talvez nos esconda do contato com a pessoa na mesa ao lado e lá se vai uma carga ainda maior de individualismo e alienação em relação ao próximo. O mundo talvez se fecha ainda mais entre família e trabalho.

Enquanto isso nômades digitais perambulam pela cidade, parando em cafés para reuniões de trabalho ou em bancos de jardim debaixo de árvores para estudo. Ainda assim em suas vantagens e riscos dificilmente as coisas vão andar para trás e novas e inusitadas soluções devem surgir dos desenlaces de nossa adaptação à essa tecnologia.

Anúncios