Estava em uma reunião da Adegraf em que foi comentado sobre as dificuldades em se regulamentar a profissão de designer. Se você procurar na web vai encontrar design de todos os tipos e cores: Design de moda, de sapatos, gráfico, de web, de interiores etc.

A meu ver um dos grandes problemas é que a maioria dos cursos estão baseados em contextos e não na essência do conceito de design. Se existe algo em comum nas definições de design , seja a do Hollis ou da Bauhaus é que esta é uma atividade projetual. Portanto, em teoria os designers devem ter um núcleo em comum, variando em aplicações. Tanto que alguns falam em design para a web e não webdesign. Um dos motivos porque acho que o termo design de interfaces descreve melhor a atividade de projeto para interfaces de computador (para ser beeem exato, chamaria de “interfaces para sistemas de informação na web”). Porém esse “núcleo duro” de competências comuns dos diversos tipos de design não existe em termos acadêmicos. Em parte porque as formas de surgimento dos cursos são muito diversas. Quando o fabricante de sapatos incorpora design torna-se designer de sapatos. O educador incorpora a noção de projeto ao seu planejamento educacional e temos o designer instrucional, e por aí vai.

A Bauhaus definiu os padrões fundamentais, mas o que acontece é que áreas diversas vão incorporando os conceitos de design.

O resultado é que há diversas interpretações de design, afinal o MEC autoriza cursos com nomes do arco da velha. Há certos cursos que ensinam o uso de ferramentas, mas não a metodologia ou o conceito do design. E mesmo que sejam ótimos cursos de ferramentas, como vários são mesmo, não acho correto dizer que formem designers. O que diferencia designers de artistas é método e contexto.

Dentre os efeitos dessa fragmentação aparece a tal dificuldade de se regulamentar a profissão, designers de interiores tentam de um lado, designers gráficos de outro, webdesigners também querem seu quinhão e logo os designers instrucionais vão entrar na briga. E ainda tem aqueles que já garantiram seu lugar no mercado que estão pouco se importando com a regulamentação da profissão, de fato suponho até que alguns preferem assim.

Por isso a indefinição e dificuldade de entendimento do que é design. O conceito não é dificil, mas existe uma imensa dificuldade de articulação e harmonização entre as diversas carreiras.

Mas se administração consegue, será que o design também não?

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