Hoje li um provérbio americano que achei pertinente Não me lembro da frase exata mas a idéia básica era.

“Se perceber que está indo para o buraco, pare de cavar”

Pode parecer um conselho óbvio mas é algo que acontece de vez em quando. Muitas vezes estamos muito envolvidos com o que fazemos, ou pressionados demais por prazo e outros problemas que conseguimos ignorar idéias como essas. Elas podem se tornar óbvios bem sussurrantes, ou nós que não ouvimos mesmo.

Vi uma turma passar por isso um dia desses. Eles são alunos de uma matéria de tecnologias para educação e tiveram sua primeira experiência com Wikis que são textos construídos de forma colaborativa. Quando os primeiros começaram a escrever em vez de se organizarem para construir uma estrutura de texto integrada o primeiro escreveu algo, deixou seu nome e foi embora . O segundo escreveu outro pedaço , sem conexão com o primeiro, também deixou seu nome e foi embora. Não preciso nem dizer como o quarto e o quinto procederam certo?

Escrevi então um texto para a turma dizendo que apesar de considerar a iniciativa dos primeiros, a idéia do exercício estava totalmente errada, que o cerne do wiki é seu aspecto colaborativo e o que eles estavam fazendo era apenas uma colcha de retalhos. Sugeri que eles se organizassem e trabalhassem para aproveitar o conteúdo e colocassem uma ordem nele. O resultado é não só não corrigiram o texto como outros ainda continuaram colocando textos desconexos.

O que acredito ter acontecido é que além de irem para o buraco, alguns ainda sentiram a compulsão de continuar cavando. Simplesmente por não saber o que fazer, ou pelo medo de abandonar uma idéia pré-concebida (mesmo que fosse uma idéia errada) e acertar o caminho. Não só estavam afundando como ainda continuavam cavando!

Na minha graduação havia um professor famoso, e polêmico, um uma matéria de produção gráfica. Era famoso por passar trabalhos difíceis e avaliar os alunos em sala. Quando não era raro de dele rasgar os trabalhos ruins, na frente do malfadado aluno e sua turma. Claro que o sujeito era amado e odiado pelos alunos. Creio que os motivos dos que odiavam eram bem transparentes, não? Portanto não vou me ater aos que o amavam. Com o tempo entedemos que com isso ele fazia com que encarássemos nosso próprio trabalho com desprendimento necessário. E que endurecessemos o suficiente para fazê-lo sob pressão. O trabalho de comunicação pode demandar mudanças repentinas, muitas vezes radicais.

Em suma é necessário que tenhamos capacidade de parar de cavar automaticamente na hora que nos flagramos afundando. No caso minha turma cometeu o erro de não parar de cavar. Errar faz parte do aprendizado, resta agora eu avaliar como devo tratar o erro deles.

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