Recebi um mail, supostamente hilário, com o vídeo de uma aula de história de um professor sobre a participação brasileira na primeira guerra mundial. Pelo que vi é uma dessas típicas aulas-show de cursinhos. Até entendo o uso de certos recursos para descontrair uma aula e prender a atenção do aluno. Porém acho que há um grande risco embutido no uso piadas para manter atenção. A situação se torna um problema quando piada se torna maior que o conteúdo. E por consequência o que devia ser professor se torna um comediante.

Isso fica claro quando o sujeito se empolga tanto com as piadas que conta que começa a simplesmente falar bobagem. Considerando a aula que assisti. De onde ele tirou que a DNOG sofreu com a febre amarela contraída na ESPANHA? Isso aconteceu em Freetown. Ou uma pérola como “os pilotos nem voaram”, mas que pilotos? Se ele se referia aos que voaram na RAF como voluntários, creio que esses devem ter voado, e muito.

Acho que o caso reflete o perigoso momento em que o pedestal de professor e a performance se tornam mais importante que o que ele deve ensinar. Os alunos acham que aprenderam certo e nunca vão descobrir. Afinal o professor engraçado só arranca elogios. Os alunos adoram, não questionam, os salários sobem. E lá vai mais uma feliz turma de alunos que deviam ir para a escola aprender acaba transformada em “gado” ao sabor das preferências de ocasião da cada professor. Além de se perder informação, ainda se destrói a chance dela se tornar conhecimento. Educação vira alienação.

Sempre há o argumento que eles passam no vestibular. Mas é isso que a educação virou? Se forma alguém com o conhecimento cheio de buracos para se remendar no nível acima? Talvez por isso seja cada vez maior o número de estrangeiros conseguindo vagas de pós em universidades de alto nível brasileiras.

Do ponto de vista da história, não acho que devemos agir como os americanos, que se ufanam dos méritos e escondem os erros. Mas também não acho que nossa história tenha menos heróis, gênios ou canalhas que qualquer outra. A DNOG da primeira guerra realmente não foi nosso melhor momento, mas serviu como um aprendizado e exercício importantes para a evolução do exército e da marinha. Por outro, lado a FEB e a FAB são motivo de orgulho justificado por sua atuação na segunda guerra.

Para fazer uma comparação com outros povos: A Carga da Brigada Ligeira também não foi um grande momento dos ingleses em termos de competência tática, mas isso não reduz a importância do Império Britânico.

O que vi dessa aula foi como o gosto por “verdades confortáveis” e em propagar o complexo de vira-lata brasileiro continua forte por aí.

_ Para ver o vídeo da aula citada, clique aqui.

_ Para saber mais sobre a Batalha das Toninhas, clique aqui.

Minha fonte sobre o assunto (além do mail) foi o blog do Leo Chermont

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