Seja um site ou um jogo educativo é importante lembrar que estes são essencialmente meios para se atingir objetivos e, em última instância,  atender necessidades educacionais.  Portanto os meios sempre serão parte de um projeto, com seu papel e momento específicos no processo.

Porém quando o seu objetivo é justamente o meio é necessário manter ainda mais domínio de metolodologia, o que é ótimo para saber se você realmente entendeu o método ou se está apenas repetindo procedimentos. O que me lembra diferença que o Bloom (1972) colocava entre conhecer e compreender, ou que Merril (1983) chamava de habilidade de aplicar uma regra geral em um caso específco.

Basicamente em um método qualquer se define primeiro o que se deseja fazer e apenas depois como isso será feito (o meio). Portanto o início é fundamental (há algo de trocadilho nessa frase ou eu fui apenas óbvio?) para definir o que se deseja, em que condições e sob quais critérios. No caso se o que desejo é produzir ou validar um novo meio de ensino, como um jogo ou um site, devo então definir quais são os objetivos que eles podem cumprir (o início do projeto) e como avaliar sua eficácia (o final).

O processo é,  basicamente, começar do meio, tomando como referências as capacidades e limitações do meio que deseja validar para então voltar para o início desenvolver seus objetivos e necessidades de acordo com as características do meio desejado e então seguir o caminho usual de desenvolvimento do projeto. Parece fácil, mas não está sendo tanto quanto parece no meu caso.

Mas é um problema divertido.

Existe algo de relacionamento dentro de um projeto, pois sua velocidade de desenvolvimento está diretamente ligada ao grau de envolvimento de seus participantes. Por mais convincente e sedutora que seja uma proposta ele vai depender da práxis, do quanto eu realmente estive disposto a mergulhar no projeto. E por mais que uma boa metodologia, planejamento, até mesmo o erro ou percalços, são elementos essenciais ao desenvolvimento de boas idéias.

Assim como um relacionamento um projeto não é o seu final, mas o decorrer de um processo.

Porém, assim como num relacionamento, adoramos nos apaixonar. Mas temos problemas em mantê-los funcionando. Meus projetos começam com idéias belíssimas,  como um primeiro encontro, que ao mesmo tempo me assustam desenvolver. É o medo de amar, de desmistificar a idéia maravilhosa. Porém é não superá-lo significa matar a oportunidade de desenvolver a idéia e torná-la ainda mais bela.

Trazer um projeto para o mundo real, com seus erros, limitações e acertos também passa pela superação do medo de amar.

Que momento raro fazer dois posts num dia.

Encontrar tutoriais sobre ferramentas, programas de design como corel, photoshop et caterva é facílimo. Agora tente encontrar algo que preste sobre comunicação ou programação visual e a web torna-se vaga, monotônica e dissimulada.

Uma rara exceção à regra são estes posts do Luli Radfaher tanto por sua concisão técnica quanto por sua clareza para leigos. Para quem ouve muito falar em diagramação, simetria, e como organizar visualmente mas nunca teve uma explicação decente este é um ótimo começo.

Esse pessoal não tem régua? + Quem não sabe diagramar centraliza + Busca por simetria

Saiu o prêmio Brit Insurance Design Award 2009, a coisa mais próxima de Oscar que temos na área de desig gráfico. Nesse ano o prêmio foi para uma trabalho que pode se tornar o ícone da história recente. Feito pelo artista de rua californiano Shepard Fairey o desenho usando as 3 cores da bandeira americana foi um trabalho voluntário do artista e tornou-se peça importante da campanha eleitoral em 2008.

O desenho me lembra um pouco a famosa foto do Che Guevara, e não duvido que tenha sido essa a intenção, não deixando de ser a resposta americana ao famoso símbolo. Sendo um bom exemplo do impacto que o Design pode ter em nossa vida.

Dia do Designer

Dia do Designer

Agradecimentos à Adegraf, pela lembrança.

Admito que ri deveras com o vídeo abaixo.

Ele reflete uma situação pela qual todo o designer gráfico passa de vez em quando, assim como vários outros profissionais . É divertido pelo exagero e mais ainda pela identificação. Nos comentários do YouTube todos comentavam como ter um briefing insanamente alterado dezenas de vezes não é uma exceção mas praticamente lugar-comum.

Essa é uma realidade que os guias profissionais e os cursos não comentam, mas todo o profissional da área com alguma experiência tem vários casos a comentar. A meu ver, o designer gráfico è mais visto como uma impressora reclamona do que um profissional com uma sólida base de conhecimentos para fazer seu trabalho, considerá-lo como gente então, nem se fala.  O problema de trabalhar em uma profissão que tem nome de eletrodoméstico é que as pessoas acham que você é um eletrodoméstico.

Já faz um bom tempo que considero aquela visão idílica do designer como artista equivocada. Mas parece que a coisa conseguiu piorar com o passar do tempo, para deixar claro: não que o vídeo seja ruim ou errado, é uma bela descrição da realidade. Porém demonstra que o senso comum parece ser ainda pior.

Ok, é só mais um destes tantos gadjets de internet. No caso peguei o blog do Pedro Dória que pegou do jornal argentino La Nacion. Gostei deste porque serve para demonstrar uma das aplicações do design, tornar dados mais palatáveis graças a uma interface visual.

No caso o que temos é uma nuvem de palavras, com as mais utilizadas aparecendo com mais destaque. Convenhamos, é muito mais agradável e prático do que ver uma grande tabela com as palavras mais usadas e o número de vezes em que elas aparecem, não? E ainda assim serviu como informação para me mostrar que tenho usado a palavra “sobre” com mais frequência que o termo “educação”. Claro que eu podeira colocar tudo na horizontal, mas os detalhes essenciais do que eu queria saber, quais as palavras que mais uso em meus textos está sendo cumprido e de uma forma mais agradável que uma tabelona.

Enfim, aí vai uma questão de projeto. Posso não ter a precisão do número exato de vezes que cada palavra, mas pode ser que eu simplesmente não precise dessa informação, apenas deseje uma comparação entre as palavras.  Tudo questão de proposta.

Enfim gráficos, e em última instância comunicação visual, servem para isso mesmo: tornar a visualização mas agradável e prática, sem perder de vista o cumprimento da função.

E claro, também é um brinquedo divertido e fácil de usar, recomendo.

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Admito que sou um fã confesso de coisas um tanto esquisitas. Ao planejar aulas sempre me divertia em inventar exercícios e formas de avaliar o desempenho e aprendizado dos alunos, o que significa formas de avaliar aos alunos e à minha aula. Ainda assim acho que algumas das melhores e mais interessantes pesquisas sobre avaliação não estão nas salas de aula ou nos corredores da academia, mas nos processos seletivos e treinamentos do RH ( agora a afamada da tal Gestão de Pessoas). E para reforçar minha impressão assisti a um exemplo desses hoje. Dessa vez na categoria de avaliado, ou seria vítima?

Participei de uma entrevista de emprego para uma gráfica. Ironicamente fui avaliado por um antigo conhecido da Universidade, o que não significa que ele facilitou a minha vida. A entrevista começou com uma detalhada análise do meu portifólio com uma série de perguntas estratégicas sobre a produção de certas peças, apresentadas de forma casual, enquanto eu comentava os trabalhos.

A segunda parte foi uma conversa, quase informal sobre tipografia, fluxo de trabalho e produção gráfica. E a coisa corria razoavelmente tranquila. Depois de quase dez anos de carreira é mais raro ser pego de surpresa em uma entrevista e até ali achei que essa ia terminar logo e de forma tranquila.

Até a última pergunta.

Casualmente David (vou chamá-lo assim), meu simpático avaliador tira uma nota nova de 10 reais e pede que eu comente e descreva quais foram os processos de impressão utilizados na produção daquela nota. Começei a comentar o que eu apreendia daquela nota, comentando sobre o tipo de papel, impressão em marca d´agua, rotogravura, impressão em relevo (o nome certo é calcogravura) e confessei que nunca entendi como eles conseguiam manter o registro frente/verso das notas tão perfeito.

Em suma, foi um daqueles momentos que serve para te manter humilde e lembra que por mais que tenha experiência a vida guarda suas surpresas. Avaliar profissionais experientes é um exercício muito mais difícil que novatos, e essa foi uma das raras análises realmente eficientes pela qual eu já passei em uma de minhas áreas de conhecimento. Se não for chamado pelo menos posso ficar tranquilo que perdi para alguém realmente melhor que eu.

Estava em uma reunião da Adegraf em que foi comentado sobre as dificuldades em se regulamentar a profissão de designer. Se você procurar na web vai encontrar design de todos os tipos e cores: Design de moda, de sapatos, gráfico, de web, de interiores etc.

A meu ver um dos grandes problemas é que a maioria dos cursos estão baseados em contextos e não na essência do conceito de design. Se existe algo em comum nas definições de design , seja a do Hollis ou da Bauhaus é que esta é uma atividade projetual. Portanto, em teoria os designers devem ter um núcleo em comum, variando em aplicações. Tanto que alguns falam em design para a web e não webdesign. Um dos motivos porque acho que o termo design de interfaces descreve melhor a atividade de projeto para interfaces de computador (para ser beeem exato, chamaria de “interfaces para sistemas de informação na web”). Porém esse “núcleo duro” de competências comuns dos diversos tipos de design não existe em termos acadêmicos. Em parte porque as formas de surgimento dos cursos são muito diversas. Quando o fabricante de sapatos incorpora design torna-se designer de sapatos. O educador incorpora a noção de projeto ao seu planejamento educacional e temos o designer instrucional, e por aí vai.

A Bauhaus definiu os padrões fundamentais, mas o que acontece é que áreas diversas vão incorporando os conceitos de design.

O resultado é que há diversas interpretações de design, afinal o MEC autoriza cursos com nomes do arco da velha. Há certos cursos que ensinam o uso de ferramentas, mas não a metodologia ou o conceito do design. E mesmo que sejam ótimos cursos de ferramentas, como vários são mesmo, não acho correto dizer que formem designers. O que diferencia designers de artistas é método e contexto.

Dentre os efeitos dessa fragmentação aparece a tal dificuldade de se regulamentar a profissão, designers de interiores tentam de um lado, designers gráficos de outro, webdesigners também querem seu quinhão e logo os designers instrucionais vão entrar na briga. E ainda tem aqueles que já garantiram seu lugar no mercado que estão pouco se importando com a regulamentação da profissão, de fato suponho até que alguns preferem assim.

Por isso a indefinição e dificuldade de entendimento do que é design. O conceito não é dificil, mas existe uma imensa dificuldade de articulação e harmonização entre as diversas carreiras.

Mas se administração consegue, será que o design também não?

Estava trabalhando na minha monografia esses dias. No caso estou fazendo o design instrucional de um curso “by-the-book” de Webdesign seguindo o método que nos foi ensinado. O que me levou a confrontar alguns óbvios sussurrantes.

No momento estou definindo os objetivos gerais e específicos do curso. A idéia é definir primeiro as competências que o aluno deve adquirir, considerando competência como uma soma de conhecimentos, habilidades e atitutes.

Ok, admito que ainda estou me embolando na hora de diferenciar habilidades de atitudes, mas prometo resolver isso dentro do prazo. Voltando ao assunto foi o efeito de se definir as competência que eu achei interessante. Com as competências definidas, os objetivos gerais do curso simplesmente fluíram. É… não tenho verbo melhor para descrever a facilidade que foi para definir os objetivos gerais a partir das competências.

Definidos os objetivos gerais eu me senti seguro para definir os objetivos específicos, obviamente começando pelas competências específicas que desejava para os alunos. E novamente as coisas fluíram e com um bônus. Ao final dos objetivos específicos eu já tinha uma noção razoável de qual a seria estrutura e o conteúdo do curso. Inclusive descobri que alguns tópicos que eu pensei inicialmente necessários estavam se mostrando supérfluos.

Ao contrário que muita gente pensa, nível superior não serve apenas para te dar diploma e servir de desculpa para pedir um salário mais alto. Também significa oferecer um instrumental de pensamento que lhe permita resolver problemas mais complexos, ao mesmo tempo que otimiza seu trabalho e libera sua cabeça para cuidar de coisas mais criativas.

No caso que estou narrando, o que aconteceu foi um simples uso de método, no caso um método de design instrucional que inclusive serviu para derrubas algumas idéias pré-concebidas minhas sobre como deveria ser meu curso. E olha que eu trabalho com webdesign há quase dez anos.

O método pode se tornar um gesso? Sim, principalmente para quem não tem noção de metodologia. Afora esse caso, ele é um ponto de apoio para a construção de um projeto que permite otimizar o tempo, rastrear o processo de criação para eventuais ajustes e correções e ainda avalizar um projeto.