O curso de desenho industrial não tem um pingo de filosofia e confesso que nunca senti muita falta até começar meus planos para a grande guinada na minha carreira.  Porém ao ler este simpático artigo do Dyke (.pdf) vi como uma pós pode ir fundo. Por um lado achei fantástico justamente pela variedade,  ele trabalha de forma transversal levantando aspectos sociológicos e filosóficos, como também pela profundidade: conceitos como experiência e aprendizado são questionados e levantados desde Kant e Hume, que levantaram raízes do empirismo e construtivismo que eu acho tão interessante.  O que leva a um encaixe bem embasado do “reflexive learning” frente a uma sociedade também reflexiva. Por outro lado eu também vi meus limites em lidar com a tonelada de conceitos novos e os dois quilômetros de autores aos quais o Dyke fazia referência em seu artigo.  Já era um texto denso, em inglês então ficou mais denso ainda. Minha solução então foi procurar as referências que ele colocou no texto, pelo menos as mais populares, como o Crítica da Razão Pura de Kant.

A resposta à minha solução foi uma pergunta: Pra quê?? Se o texto do Dyke estava pesado Kant era quase um buraco negro sugador de entendimento e auto-estima intelectual, o prefácio já foi dolorido e as páginas iniciais beiravam o masoquismo.  Nessa empreitada eu fui salvo pela SenhoritaK que já escolada por um mestrado me recomendou primeiro começar pelas leituras comentadas para depois voltar aos textos puros, aí fica muito melhor para se tirar as próprias conclusões. Nada como aplicar um pouco de construtivismo à própria vida. O outro aviso que ela me deu é que há tanta variedade de pensadores, enfoques e análises que termina-se por escolher aqueles que se adequam mais ao que desejamos fazer e nos especializamos.

Eu ainda acho que o Dyke mandou o texto para ver se eu aguento o tranco, se foi essa a intenção devo admitir que ele foi esperto. Foi um belo dum tranco. :-)

Esse vai para a lista de links legais, o Academic Earth é um banco de aulas em vídeo de grandes professores de grandes faculdades. Ainda que a interatividade faça falta é uma boa forma de acesso a boas aulas.Um uso útil da tecnologia difundida pelo YouTube.

Para quem está estudando a língua anglo-saxã ou sonha passar um tempo estudando fora não deixa de ser um ótimo exercício, digamos que é  o equivalente pedagógico de uma aula de spinning.

http://academicearth.org/

Mais legal que fazer um projeto de aplicação é ver o que a banca disse dele. Certas vezes o sistema “bateu, levou” compensa.

Não, isso não é uma ironia. Eu apresentei meu projeto de fim de curso em meados de setembro e nele aproveitei para fazer algumas provocações: à academia,  à forma como a educação é abordada enquanto área de conhecimento, temperando com algumas comparações entre o meio corporativo e o acadêmico.

O interessante de fazer isso com um texto que será avaliado por uma banca de uma universidade é que… eles respondem. E, no meu caso, responderam bem! Meus questionamentos forma respondidos por outros e principalmente por algumas direções muito interessantes que não havia pensando em meu trabalho inicial. Como por exemplo, eu comentei sobre a evolução e as vantagens da educação com foco corporativo sobre sua acadêmica. E na resposta da examinadora da banca ela me questionou se eu também seria capaz de comentar sobre o inverso, sobre as desvantagens do corporativo. Ela não disse que eu simplesmente estava errado, mas me convidou a analisar a questão pelo outro lado.  Creio que isso diferencia doutrinar de educar, do professor no modo mais Paulo Freire do termo, que incentiva a formação e não a simples informação.

Entre outras coisas descobri que ainda me embanano para diferenciar tutor de professor e também que o fato de montar um curso e ter experiência como professor e profissional num assunto não me torna automaticamente um tutor que preste, e que tenho muito a estudar sobre teorias da educação. Sou um ignorante um pouco mais socrático agora.

Minhas provacações também renderam uma série de demonstrações sobre a fragilidade de algumas das minhas idéias, seja na visão limitada que comentei acima, ou em perguntas sobre uma série de conceitos que percebo agora não conhecer tão à fundo como pensava. A fase de correção do meu projeto (fui aprovado com 95% e sim, eu estou me achando) está sendo muito mais interessante, e trabalhosa,  que eu esperava.

O bom do feedback, além de mostrar minhas fraquezas mostru minhas forças, foi comentada minha capacidade de análise e habilidade para desenvolver soluções (descobri que adoro inventar exercícios).

Enfim, nas respostas questionadoras que recebi vi uma aceitação do debate e um chamado à profundidade que vai além de meus estereótipos da academia.  O raciocínio do ‘bateu, levou’ me foi deveras lucrativo.